Registro das Ladainhas Paratienses

Os caiçaras viviam, e ainda hoje alguns vivem, em comunidades rurais isoladas. Por esse motivo, a presença de padres e párocos não era constante. Dependendo do lugar, o padre só visitava a região uma vez ao ano para celebrar a missa do santo padroeiro. Ainda assim, a fé católica e a devoção religiosa são características marcantes das comunidades litorâneas.  Essa característica contribuiu para firmar uma liturgia alternativa dos padrões da Igreja, com celebrações conduzidas pelo próprio povo. Rezas, terços, ladainhas eram feitas nas casas e lideradas pelo dono da casa ou por um capelão.

Assim também aconteceu em Paraty, cidade localizada ao sul do Estado do Rio de Janeiro. Mesmo hoje, com a maior proximidade da Igreja e de sua estrutura, muitos paratienses promovem as “ladainhas” em suas casas em homenagem a seus santos de devoção – Nossa Senhora Santana, São Pedro, Nossa Senhora da Conceição, São João, São Bom Jesus. No determinado dia do santo, vizinhos, amigos e parentes se reúnem para rezar e cantar em agradecimento e renovar os pedidos por proteção. Nessas ocasiões, cantos em latim e em português são entoados. Esses cânticos foram passados através das gerações e vem sendo transformados e adaptados pela tradição oral.

A ideia de realizar o registro dessa prática e dos cantos surgiu a partir de uma demanda dos próprios devotos. Eles sentem que grande parte do repertório foi perdido com o falecimento de algumas figuras atuantes. Por isso, gostariam de, alguma forma, fazer com que essa tradição alcance seus netos.

O projeto para o Registro das Ladainhas Paratienses  está em fase de elaboração. Mais notícias em breve nessa página e no blog da Celestial.  A realização é da Associação Regional Paraty – Angra dos Reis e da Celestial Produtora.